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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O andrôgino

Como na oposição Yin-Yang da filosofia oriental, a dualidade o equilíbrio sexual são essenciais à erudição alquímica. O rei e a rainha, símbolos humanos do sol e a lua, representam as duas propriedades opostas da Matéria Primordial: o Enxofre e o Mercúrio Filosófico.


Durante as operações alquímicas, eles são unidos, destruídos, separados, purificados e reunidos.

Ao final da obra, o Rei e a Rainha se fundem num único e perfeito - o Andrógino - símbolo de equilíbrio harmônico entre os pólos masculino e feminino, o qual surge do dragão da Matéria Primordial. Uma arvore assinala a perfeição, enquanto o pássaro alimentando suas crias, sugere a capacidade de multiplicação do poder.

Sejam estes personagens interpretados como aspectos duais em sua própria personalidade ou como as dinâmicas de seus relacionamentos com outros, você descobrirá que as batalhas, reconciliações e amor apaixonado entre o Rei e a Rainha podem ser modelos úteis para seu crescimento pessoal.

A árvore dos filósofos

Este é um gravado das séries de ilustrações de Basilius Valentine sobre o Azoth e a arvore filosófica de 1659 extraído da portada da obra Azoth ou moyen de faire l’or caché  des philosophes, Paris.

Esta representação mostra a dois filósofos, um mais velho e outro mais jovem, Sênior e Adolphus, conversando perante uma árvore coroada em cada um dos seus galhos pelos símbolos dos 5 planetas e sua relação com os vários elementos, assim como da Lua e do Sol. Coroando a parte mais alta desta árvore está o Mercúrio filosófico. À esquerda e em ordem descendente aparecem os astros Vênus, Marte e o Sol e na direita, igualmente de forma descendente, aparecem Saturno, Júpiter e a Lua.


Na figuras também aparecem dois triângulos isósceles um apontando para cima, em direção ao Céu, e o outro apontando abaixo, em direção à Terra.

Uma das interpretações que são dados a estes dois triângulos é que ambos representam aquilo que está acima e abaixo estão unidos e interligados, assim como um é o reflexo do outro. No triângulo que aponta para abaixo, a terra, contém nos seus vértices os três símbolos, no lado esquerdo, ao lado do Senior, o Enxofre; no lado direito, ao lado de Adolphus, o Sal e no vértice inferior o mercúrio filosofal. Estes são os três elementos principais na alquimia que são equivalentes a trindade Pai, Filho e Espírito Santo na tradição cristã.

Desta maneira o triângulo que aponta para a terra contém os princípios básicos do que existe na Terra, enquanto o triângulo que aponta para acima está rodeado pelos planetas que circundam o Céu. De acordo com estas teorias, esta gravura representa a reflexão, propostas e intercâmbios de impressões entre dois pensadores sobre a origem e mistérios da vida, atendendo os ideais do próprio Basilius Valentine.

Provavelmente o Azoth poderia representar o quarto elemento ou principio misterioso da vida que justificaria a origem do ser humano e da sua divindade.


Fonte: A Mandala alquímica - Adam McLean

O sêlo de Salomão

A gravura do Sêlo de Salomão aparece na primeira obra da maturidade mágica de Eliphas Levi, Dogma e Ritual da Alta Magia.

Publicada em 1855, neste trabalho pretendeu conciliar religião e ciência, a fé e a razão, como demonstrar para os que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir que o saber mágico tradicional era, inclusive, a grande síntese conquistada e realizada pela fé e a razão. O espírito deste livro, assim como o do autor, é do esclarecimento, conciliação e paz. Neste livro, foram incluídos os seguintes comentários sobre o Selo de Salomão:

Estes dois triângulos, reunidos numa só figura, que é a de uma estrela de seis raios, formam o signo sagrado do Sêlo de Salomão, a estrela brilhante do macrocosmo.



A idéia do infinito e do absoluto é expressa por este signo, que é o grande pentáculo, isto é, o mais simples e o mais completo resumo da ciência de todas as coisas. A própria gramática atribui três pessoas ao verbo. A pessoa que fala; a pessoa a quem se fala; a coisa de que se fala. O princípio infinito, ao criar, fala de si mesmo para si mesmo.

O duplo triângulo de Salomão é explicado por São João de modo notável. ‘Há’, diz ele, ‘três testemunhos no Céu: o Pai, o Logos (filho) e o Espírito Santo, e três testemunhos na terra: o enxofre, a água e o sangue’. São João está, deste modo, de acordo com os mestres da filosofia hermética, que dão ao seu enxofre o nome de éter (espírito), ao seu mercúrio o nome de água filosófica (anima), ao seu sal o qualificativo de sangue do dragão ou mênstruo da terra (corpo); o sangue ou o sal corresponde, por oposição, ao Pai; a água azótica ou mercúrio ao Verbo ou Logos e o enxofre ao Espírito Santo. Mas as coisas de alto simbolismo somente podem ser entendidas pelos verdadeiros filhos da ciência.

Fonte: Ritual e Alta Magia - Eliphas Levi

O universo do alquimista

Nesta magnífica composição de Mateus Merian, ficam belamente representadas as correspondências existentes entre Macrocosmo e Microcosmo. Na parte superior, A Santa Trindade e os Anjos da Luz que influenciam o Zodíaco. Na parte inferior, o Corvo da Nigredo, o Cisne do Albedo, o Dragão, tema da Arte, o Pelicano (o Mercúrio) e a Fênix (o Enxofre).

Nesta gravura, aparecem todos o símbolos imagináveis dos opostos arquetípicos, o Sol e a Lua, o Mercúrio e o Enxofre. A figura central representa a poderosa e indissolúvel Unidade da Pedra Áurea.

Texto extraído do livro: 'El Juego Aureo' de Stanislas Klossowski de Rola